Protesto contra intolerância une diferentes religiões


Centenas de religiosos de várias crenças se reuniram na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, para protestar contra a intolerância religiosa na manhã deste domingo (21). O ato é realizado após Kailane Campos, de 11 anos, ter sido apedrejada quando saia de um culto de candomblé. 
Os presentes pediam "paz e respeito" e vestiam roupas típicas de suas respectivas religiões na passeata que começou por volta das 10 horas e contou com um ato ecumênico ao meio-dia. Os manifestantes seguiram em direção ao local onde Kailane foi atingida e sofreu ferimentos na cabeça, na Avenida Meriti, também na Vila da Penha.
O ato foi organizado pela família da menina, que está empenhada em fazer da agressão uma símbolo da luta contra o preconceito religioso. Na última sexta-feira (19), a Arquidiocese do Rio de Janeiro recebeu Kailane, sua avó, Kátia Marinho e o babalaô Ivanir dos Santos. Os canbomblecistas receberam a solidariedade do arcebispo da capital fluminense, dom Orani Tempesta.
Segundo Ivanir do Santos, no Palácio de São Joaquim, zona sul do Rio do Janeiro, residência oficial do arcebispo, dom Orani reafirmou a posição da Igreja Católica contra qualquer forma de perseguição ou intolerância a adeptos de religiões como o candomblé e a umbanda. “Foi muito importante, uma manifestação pública, de preocupação para que o sentimento de ódio [que motivou a agressão] não avance”, disse o babalaô à Agência Brasil. Quem também recebeu Kailane e prestou sua solidariedade foi o prefeito Eduardo Paes, no último domingo (14).