Gramado recebe congresso com Divaldo Franco


Os pedidos de entrevistas e informações sobre o 8º Congresso Espírita do Rio Grande do Sul reforçam as impressões da presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul (Fergs) sobre a expansão do espiritismo no Estado e no Brasil.

– Há uns dois, três anos, podíamos bater à porta dos meios de comunicação que não encontrávamos espaço. Isso não aconteceu desta vez – lembra Maria Elisabeth Barbieri.

À frente da Fergs, uma entidade quase centenária no Rio Grande do Sul, ela também lança mão do número de inscritos no evento, cerca de 5 mil, para corroborar que a doutrina criada por Allan Kardec em meados do século 19 na França encontrou terreno fértil no Rio Grande do Sul.

O congresso, que começa hoje e segue até domingo, em Gramado, teve sua estreia em 1921 e ocorreu de maneira esporádica até a quinta edição, em 2009, quando passou a ser bianual. O interesse do público foi determinante para a mudança. Neste ano, o encontro abordará temas que integram o quarto livro de Allan Kardec,

O Céu e o Inferno ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo, obra de 150 anos em que dilemas existenciais como o medo da morte, o destino do homem depois de morrer e a crença em demônios serão discutidos à luz da doutrina.

Alguns convidados têm renome nacional, como o médium Divaldo Pereira Franco, autor de mais de 200 obras psicografadas (ditadas por espíritos, de acordo com as crenças) e o escritor, professor e jornalista da Rede Globo André Trigueiro, figura conhecida entre ecologistas que uniu as preocupações com o ambiente à doutrina no livro Espiritismo e Ecologia.

– O congresso vai tratar das consequências dos nossos atos, de acordo com a doutrina espírita. Ele ocorre em um momento em que a humanidade necessita resgatar certos valores morais e fortalecer o significado do existencial – diz Maria Elisabeth.

Simultaneamente à programação, haverá também o 2º Congressinho Espírita do Rio Grande do Sul, voltado a crianças de três a 12 anos, e uma feira do livro especializada no tema.


Encontro para mais esclarecimentos

Como em qualquer congresso, a proposta é debater e integrar. Neste caso, debater o espiritismo e integrar as 420 casas espíritas ligadas à Fergs, convidados e entidades independentes da federação gaúcha. Mas há outro propósito no encontro: quebrar preconceitos sobre os seguidores da doutrina e apresentá-la aos que tiverem interesse de conhecê-la.

Presidente da Sociedade Espírita Dr. Ramiro D'Ávila, uma das mais antigas de Porto Alegre, com 85 anos de atividades, Edilson Vargas ressalta que há muita confusão em relação ao espiritismo. Segundo ele, em linhas gerais, o espiritismo é a união de filosofia, ciência e religião porque se utiliza de conceitos dessas áreas para explicar questões existenciais e crenças como na reencarnação e na comunicação com os mortos.

Apesar de a curiosidade sobre a prática espírita geralmente recair sobre esses temas, ela envolve um cotidiano nada sobrenatural, com palestras, passes (imposição das mãos para canalizar energia positiva), orações e caridade. Na Ramiro D'Ávila, por exemplo, diariamente, são distribuídos 500 pratos de sopa a moradores de rua, oferta garantida pelas doações dos frequentadores da sociedade. Outras ações assistenciais completam a agenda de fraternidade, segundo Vargas, indispensável àqueles que se decidirem pela doutrina de Kardec.

– Não existe espiritismo sem a prática da caridade – reforça.